Clov’s - O Internacionável

Tudo sobre o palhaço mais internacionável do mundo

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4 04UTC março 04UTC 2008

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1 01UTC março 01UTC 2008

Breve Histórico Fabiano Peruchi

20 20UTC novembro 20UTC 2007

 

O INTERNACIONÁVEL

 

 
Iniciei minha carreira com teatro no ano de 1989 na cidade de Criciúma - SC ingressando no grupo Calderón de Lá Barca, seis meses depois o diretor do grupo Luiz Naas formado na EAD – Escola de Arte Dramática - SP ministrou um curso de iniciação do qual fiz parte. Participei de duas montagens, a do grupo um infantil chamado “O Menino e o Circo” de Nilson Conder e a do curso um texto de Bertold Brecht chamado “O Vôo sobre o Oceano” com boa repercussão por parte do público.
No Calderón permaneci até 1993, ano de sua extinção, participando de algumas montagens representativas, paralelo ao grupo desde 1991, ano que recebi o convite da Casa de Cultura de Criciúma para fazer parte do casting de professores das oficinas de arte por ter me destacado como ator dentro do grupo, ministrei oficinas para uma média de três equipes por ano de 1991 a 1994, esse convite possibilitou uma nova oportunidade de aprendizado solucionando questões muito pertinentes que até então não haviam ficado claros para mim. Em 1995, a convite da Cia. de Cultura vou para Florianópolis - SC ministrar uma oficina de teatro e a responsabilidade de formar um grupo. Paralelo a isso participo da oficina de “Teatro Avançado” com Mário Santana que abriu novas perspectivas da relação ator/corpo/cena.
De volta a Criciúma no ano de 1996, ministro algumas oficinas esporádicas e em 1998 vou para o Rio de Janeiro, lá além de freqüentar museus, lançamentos de livros, cinema, participo de ciclos de leitura e inicio na Escola de Teatro Martins Pena “Curso de Teatro Francês” ministrado pela francesa Brigitte Bentolila, e ao final do curso apresentamos numa curta temporada, no espaço alternativo da escola, o espetáculo “La Trahison” com textos dos autores estudados: Jean Genet, Antonin Artaud e Moliére.
Após um ano na cidade do Rio de Janeiro retorno a Criciúma para coordenar o novo Grupo de Teatro da Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC ali permanecendo até início de 2001 com encontros semanais de oito horas desenvolvendo pesquisa e preparação dos jovens atores, no mesmo ano recebo o convite para ingressar no Grupo Cirquinho do Revirado. Nesse grupo participo, além de intervenções, de duas montagens representativas, “O Sonho de Natanael” de Yonara Marques, com colaboração minha e de Reveraldo Joaquim, um infanto-juvenil com mais de quinhentas apresentações e boa repercussão nos festivais e “Amor por Anexins” de Artur Azevedo adaptado para o universo da rua numa linguagem farsista e dirigido por Lourival Andrade diretor premiado. Essa montagem viaja pelo sul, sudeste e nordeste do país, participa de Festivais sendo premiado em dois deles, o Isnard Azevedo de Florianópolis - SC e o de Pindamonhangaba - SP no primeiro dos seis prêmios o espetáculo leva quatro, e no segundo dos oito prêmios o espetáculo leva todos, eu ganho o Premio de Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Execução da Sonoplastia, o espetáculo ainda leva a indicação de Melhor Espetáculo no Festival de Americana – SP e no Festival Nacional de Ponta Grossa - PR.
Desde de 2000 desenvolvo pesquisa no universo cômico do clown/palhaço tendo estudado com o espanhol Pepe Nuñes, com Patrícia Santos formada na l’École Internationale de Théâtre Jacques Lecoq e com Márcio Libar palhaço premiado com Nariz de Prata e Prêmio Especial do Cirque du Soleil no Festival de Mônaco. Há quatro anos viajo e apresento meu solo cômico “Clóv’s” com ótima repercussão e incomensurável satisfação. No momento mantenho contato com o carioca Márcio Libar, um dos fundadores do Grupo Teatro de Anônimos, criador do projeto mundoaocontário e um dos organizadores do Encontro Internacional de Palhaços Anjos do Picadeiro o maior da América Latina, Márcio assina a direção do meu solo e é meu mestre na palhaçaria.

O Mundo Mora num Detalhe

30 30UTC outubro 30UTC 2007

  Para muitos, é só um pequeno pedaço de borracha vermelho. Para poucos um detalhe que é capaz de transformar quem veste e a quem olha. A pequena grande máscara que já vestiu grandes artistas, que veste ainda grandes palhaços e que com certeza vestirá outros grandes que hão de vir contém "dentro" dela todo um mundo, um universo, muitas vezes incompreensível para leigos e iniciantes. O mistério desse detalhe é o que move minha vida nesse memento, o encontro com esse mundo, o mergulho dentro desse pequeno pedaço de látex, desse signo que é capaz de resgatar nosso ser primordial e nos confrontar trazendo no bojo de um mundo tão caótico, a singeleza. É claro que há palhaços que não utilizam o nariz vermelho, mas mesmo ali na inexistência do pedaço de látex o nariz aparece mesmo não estando, mesmo vendo um palhaço sem o tradicional nariz, consigo enxergar ele ali. Os ensinamentos que os grandes nos tem legado nos mostra algo raro nos dias de hoje, o grande prazer do ofício, da verdade, onde o egocentrismo é colocado de volta em sua posição de teoria freudiana.
Sei que o caminho é longo, e isso me deixa feliz, saber que ser palhaço é para vida toda!

calderon ?


O Grupo de Teatro Caldéron de la Barca surgiu na cidade de Criciúma na década de 1970 por um grupo de pessoas que sentiam a necessidade de estabelecer uma comunicação direta e eficaz com um público sem muitas opções na área das artes cênicas.
Tendo em seu elenco pessoas das mais distintas áreas profissionais durante um longo período o Caldéron se manteve como um grupo amador, com montagens que iam desde textos infantis até obras de autores brasileiros e estrangeiros possibilitando a um público que até então não dispunha de nenhuma referência dessas obras a possibilidade de conhecê-las.
Nas décadas seguintes novas “gerações” foram sendo formadas pelo grupo sempre no sentido de preparar e montar obras relevantes, entre algumas delas estão:
- Os Saltimbancos - Chico Buarque;
- Pluft, O Fantasminha – Maria Clara Machado;
- O Menino e o Circo – Nilson Conder;
- O Vôo Sobre o Oceano - Bertolt Brecht;
- Navalha na Carne - Plínio Marcos;
-Todas as Vidas - texto de Adélia Prado, Cora Coralina, Caio Fernando Abreu;
- Improviso em Ohio – Samuel Beckett
As atividades do Caldéron seguiram até o ano de 1993, após vinte anos de atividades e sendo um pioneiro nas atividades cênicas na cidade por falta de apoio e sem ter um elenco fixo parou suas atividades. Após treze anos de inatividade o Caldéron ressurge nesse novo milênio disposto a ocupar seu lugar, com o intuito de profissionalizar-se prepara já um projeto de montagem para concorrer em alguns editais e já dispõem em seu repertório do primeiro espetáculo a partir de pesquisas do universo do clown.
Em suas atividades passadas o Caldéron participou de temporadas e alguns festivais estando vinculado a FECATE - Federação Catarinense de Teatro, nessa nova “geração” o Caldéron pretende ser um fomentador tendo como ponto de partida à pesquisa do universo cômico priorizando a qualidade artística e o universo imaginoso, estabelecendo novamente seu nome no cenário artístico da cidade e do estado. O regresso do Caldéron vem da iniciativa de se ter no sul do estado mais um grupo de teatro para dialogar e movimentar o cenário atual, com seu único membro restante que após ter vivenciado em outros estados e em outros grupos de teatro experiências profissionais relevantes e premiações, retorna agora para profissionalizar e “reerguer” uma trajetória de décadas de trabalho tendo um novo enfoque mais condizente com a pesquisa feita por seu membro regresso.

clov’s ?

  Com mais de uma década de teatro o ator Fabiano Peruchi acumulou experiência e ousadia suficientes para se “aventurar” na criação de seu novo projeto.
Após o projeto bem sucedido do espetáculo farsista “Amor por Anexins”, o qual possibilitou uma vivência direta com o universo popular da rua, e a Oficina de Clown ministrada por Patrícia dos Santos, cuja formação vem da reconhecida Escola Internacional de Teatro Jacques Lecoq, em Paris – França, as duas oficinas realizadas com o clown espanhol Pepe Nuñez e a oficina “A Nobre Arte do Palhaço” conduzida pelo premiado Márcio Libar que também dirige este espetáculo surge o mais internacionalmente conhecido artista já encontrado: “Clov´s”. Um clown branco, ( branco é um termo usado para distingui-lo dos outros tipos de clowns existentes), falastrão e exigente - “como todo astro deve ser” – (palavras do próprio artista), e que tem em seu público um parceiro ideal, público este que tem “o privilégio de ter sido escolhido para assisti-lo”, um privilégio para poucos.
Nos anos que antecederam a vinda de Clóv’s, o ator Fabiano Peruchi já flertava com esse universo, seja em intervenções ou com um trabalho mais efetivo como no caso do “MEDICLOWN-PLANTÃO DA ALEGRIA” realizado num período de mais de seis meses no interior do Hospital São José em Criciúma - SC. Essas experiências vivenciadas na prática, as oficinas realizadas nessa área com mais quatro anos desse espetáculo, estão sendo extremamente relevantes para o amadurecimento dessa pesquisa.

 

palhaço ?


Historicamente a figura do palhaço é encontrada desde a antiguidade, sendo que, na cultura popular da Idade Média o palhaço é visto ao lado de bufões, gigantes, anões e prestidigitadores.
Nas últimas décadas a imagem do palhaço tem sido usada para diversos fins, fazendo com que se tenha à idéia errada sobre essa figura que canaliza e expõe toda estupidez do ser humano. Quando rimos de um palhaço rimos de nós mesmos, pois as situações vividas por ele podem ser vividas perfeitamente por nós fazendo com que acabemos nos identificando com ele.
Apesar da figura do palhaço não estar ligada ao longo dos anos exclusivamente ao público infantil ele acaba por encantar a todos colocando, igualmente, lado a lado, jovens e velhos independentes de suas posições sociais, políticas e até mesmo religiosas. O palhaço é o mais democrático de todos os artistas, é um instaurador do mundo ao contrário, aquele que diz as verdades, que faz rir da sua própria condição de estupidez, o que provoca que comove um verdadeiro festeiro. Com um palhaço não a solidão, ao contrário, traz a festa, a confraternização, em seu espaço ele prova, como escreveu Patrice Pavis: “(…) claramente que os valores e normas sociais não passam de convenções humanas”; quebrar esses valores e essas normas é certamente o desejo mais íntimo de um palhaço, mas ao quebrar essas normas , ao contrário do que se possa pensar, ele ganha a simpatia e a identificação do público num jogo em que público e palhaço representam um dos lados da mesma moeda.
O palhaço é uma das figuras mais amadas e na mesma proporção ama, é isso que o torna tão fascinante.

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